Cemitério no DF quebra caixões e deixa cadáveres expostos durante obra
Obra de ampliação no Cemitério de Taguatinga deixa jazigo de quatro gerações exposto no aniversário de um ano de último sepultamento
atualizado
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Um túmulo que guarda quatro gerações de uma família ficou aberto e exposto após obra de ampliação realizada no Cemitério de Taguatinga, no Distrito Federal. Ao longo de semanas, os parentes afirmam ter acompanhado o avanço da intervenção até a estrutura ficar completamente exposta, com o caixão e os restos mortais cobertos apenas por lona improvisada.
“É uma desonra à memória da nossa família, que foi violada. As pessoas que estão ali merecem descansar em paz. No túmulo estão meu bisavô, minha bisavó e dois filhos deles que morreram antes dos pais. É um local que guarda a nossa história”, afirmou Mayane Emily de Sousa Ribeiro, 24 anos, neta do familiar sepultado mais recentemente no jazigo.
A situação começou a ser percebida em 24 de abril deste ano, data que marcou o primeiro aniversário da morte do último familiar enterrado no local. Segundo a família, o filho do homem, de 61 anos, que costuma visitar o túmulo, foi ao cemitério para prestar homenagens ao falecido, que morreu aos 87 anos após meses de tratamento contra um câncer. Ao chegar, encontrou grande quantidade de terra sobre a sepultura.
Na ocasião, ele acreditou que se tratava de intervenção temporária nas proximidades e aguardou a resolução do problema. No entanto, ao retornar cerca de um mês depois, encontrou cenário mais grave. Segundo os familiares, toda a área ao redor do túmulo havia sido escavada, a tampa do jazigo havia sido retirada e a estrutura permanecia aberta, coberta apenas por lona.
Procurada pelo Metrópoles, a Campo da Esperança Serviços Ltda., responsável pela administração do cemitério, informou que o transtorno ocorreu em razão de obras para a construção de novos jazigos na região. A concessionária afirmou que eventuais danos causados durante a intervenção serão corrigidos após a conclusão dos trabalhos, prevista para ocorrer em até dois meses. A empresa acrescentou ainda que realizou nova manutenção na área nesta segunda-feira (1º/6), com aplicação de cimento na estrutura.
Família pede exumação
Além do impacto emocional e do abalo causado pela exposição da estrutura, a família afirma que passou a ter preocupação com o estado de conservação dos restos mortais, já que o túmulo teria sido aberto antes do tempo necessário para o avanço natural da decomposição, que, segundo regras gerais de exumação, costuma variar entre 3 e 5 anos.
“Essa situação gera insegurança sobre quem realmente está enterrado ali. Com o túmulo aberto e exposto, passamos a cogitar a necessidade de uma exumação, mas nem isso podemos fazer ainda para ter certeza, porque o prazo legal e técnico normalmente é de 3 a 5 anos”, desabafa Mayane.

A família conta que, somente em abril de 2025, durante o último sepultamento realizado no jazigo, foi desembolsado um montante de R$ 1.031,10 destinado a procedimentos, como exumação, urna para acondicionamento de restos mortais, locação de capela, remoção de despojos e serviços de sepultamento.
Agora, diante da exposição da estrutura, os parentes consideram realizar nova exumação para verificar a integridade dos restos mortais sepultados no local. Segundo a família, o procedimento custaria R$ 370,41 e passou a ser cogitado após surgirem dúvidas sobre quem realmente permanece enterrado no jazigo.









