Caso Naskar: sindicato defende “regulação forte” de fintechs

Para o Sindicato dos Bancários de São Paulo, fintechs como a Naskar precisam obedecer às mesmas regras que bancos tradicionais

atualizado

metropoles.com

Compartilhar notícia

Ramiro Brites/Metrópoles
Sede Naskar Vila Olímpia
1 de 1 Sede Naskar Vila Olímpia - Foto: Ramiro Brites/Metrópoles

O Sindicato dos Bancários de São Paulo se manifestou, nesta segunda-feira (11/5), sobre a interrupção repentina da Naskar, fintech que, na semana passada, deixou de pagar seus 3 mil clientes e suspendeu o uso do aplicativo no qual o investidor controlava o próprio patrimônio. O caso foi revelado pelo Metrópoles.

Na visão da presidente do Sindicato, Neiva Ribeiro, o Caso Naskar prova a necessidade de novo marco regulatório do sistema financeiro que trate de fintechs.

“São diversos os casos que demonstram a fragilidade regulatória em relação às fintechs e outras instituições financeiras não bancárias”, afirma a presidente. Fintech é uma empresa de serviços financeiros que apresenta facilidades aos clientes frente a bancos tradicionais.

“Além da insegurança gerada aos clientes — que, como no caso da Naskar, ficam desesperados com a falta de informações confiáveis sobre seus investimentos, muitas vezes economias de uma vida inteira —, não faltam exemplos do uso de fintechs por organizações criminosas para lavagem de dinheiro e ocultação de patrimônio”, comenta.

Para o Sindicato, é necessário que fintechs e outras instituições financeiras não bancárias obedeçam as mesmas normas regulatórias impostas a bancos tradicionais. “Sem regulação forte, fiscalização rigorosa e proteção ao trabalho, seguiremos repetindo crises que penalizam trabalhadores, clientes e a sociedade como um todo”, avalia.

O Metrópoles tentou, nesta segunda-feira (11/5), contato com a Naskar para falar sobre o posicionamento do Sindicato, mas não obteve retorno. O pronunciamento mais recente da instituição versa sobre “entendimento da situação” dos clientes (leia mais ao fim da reportagem).

Caso Naskar: sindicato defende “regulação forte” de fintechs - destaque galeria
8 imagens
App da empresa não funciona desde terça-feira (5/5)
Maurício Jahu, à esquerda, e Rogério Vieira, à direita, são diretor e presidente da 7Trust, respectivamente
Marcelo Arantes, sócio da Naskar
Maurício Jahu, sócio da Naskar
Rogério Vieira, sócio da Naskar
Naskar abandonou a sede na Vila Olímpia, zona leste de São Paulo, no segundo semestre de 2025
1 de 8

Naskar abandonou a sede na Vila Olímpia, zona leste de São Paulo, no segundo semestre de 2025

Ramiro Brites/Metrópoles
App da empresa não funciona desde terça-feira (5/5)
2 de 8

App da empresa não funciona desde terça-feira (5/5)

Material obtido pelo Metrópoles
Maurício Jahu, à esquerda, e Rogério Vieira, à direita, são diretor e presidente da 7Trust, respectivamente
3 de 8

Maurício Jahu, à esquerda, e Rogério Vieira, à direita, são diretor e presidente da 7Trust, respectivamente

Reprodução
Marcelo Arantes, sócio da Naskar
4 de 8

Marcelo Arantes, sócio da Naskar

Reprodução
Maurício Jahu, sócio da Naskar
5 de 8

Maurício Jahu, sócio da Naskar

Reprodução
Rogério Vieira, sócio da Naskar
6 de 8

Rogério Vieira, sócio da Naskar

Reprodução
Nenhum dos três sócios tem respondido os investidores
7 de 8

Nenhum dos três sócios tem respondido os investidores

Material obtido pelo Metrópoles
Na imagem, um cliente tenta contato com um dos sócios da Naskar, sem sucesso
8 de 8

Na imagem, um cliente tenta contato com um dos sócios da Naskar, sem sucesso

Material obtido pelo Metrópoles

Entenda o caso

  • A fintech Naskar Gestão de Ativos atuava captando recursos de clientes e dava retorno de 2% ao mês, valor muito acima do operado pelo mercado;
  • O Metrópoles apurou que a Naskar possuía cerca de 3 mil clientes. Somando o patrimônio de cada investidor, o valor sob responsabilidade da fintech era de mais de R$ 900 milhões;
  • Por exemplo: se uma pessoa investisse R$ 1 milhão, receberia R$ 20 mil mensais pagos pela fintech, enquanto a empresa se comprometeria a cuidar do patrimônio investido pelo cidadão;
  • Apesar de o valor prometido ser bem maior do que o praticado por bancos tradicionais, a Naskar atuou por 13 anos sem que clientes tivessem problemas;
  • Até que, no início da última semana, o pagamento mensal de rendimentos, que era previsto para 4 de maio, não foi realizado;
  • Os clientes, então, buscaram contato com os sócios para entender o que estava ocorrendo, mas nenhum respondeu. Os donos são Marcelo Liranco Arantes, Rogério Vieira e José Maurício Volpato, o ex-jogador de vôlei e apresentador de TV Maurício Jahu;
  • Sem contato com os administradores da Naskar, os investidores logo foram ao aplicativo da instituição para verificar se o patrimônio investido ainda estava ali. O app, porém, deixou de funcionar em 6 de maio e ainda não voltou ao ar;
  • A Naskar chegou a ter sede no DF e, mais recentemente, tinha endereço fixo em São Paulo (SP). Contudo, mudou-se desse local fixo sem informar os clientes, conforme noticiou o Metrópoles no sábado (9/5).

A fintech Naskar possuía como instituição financeira custodiante a Celcoin Instituição de Pagamento S.A., com sede em Barueri (SP). Em nota encaminhada na quarta-feira (13/5), o banco informou que bloqueou as operações da Naskar em 8 de maio, ao tomar conhecimento das informações divulgadas pelo Metrópoles (leia a nota completa ao fim do texto).

Contrato rescindido

O aplicativo da Naskar no qual os clientes controlavam o próprio dinheiro foi desenvolvido pela empresa Alphacode Tecnologia da Informação. Em resposta ao Metrópoles, nessa segunda-feira (11/5), a empresa frisou que o não funcionamento do app é responsabilidade da fintech e confirmou que rescindiu o contrato com a financeira.

“Devido à falta de qualquer comunicação ou retorno dos responsáveis pela empresa, a Alphacode rescindiu de forma unilateral o contrato de prestação de serviços de tecnologia da informação que mantinha junto à Naskar na última sexta-feira (8/5), declarou a empresa de tecnologia.

“O cliente (Naskar) sempre teve 100% de autonomia de gestão sobre o seu aplicativo, podendo ativar ou desativar de acordo com as suas necessidades operacionais”, elucidou.

“A Alphacode reitera que atuou exclusivamente como prestadora de serviços de desenvolvimento de sistemas e aplicativos e suporte técnico da empresa, não tendo nenhuma relação, participação, comissão, ou qualquer associação com os serviços prestados pela Naskar aos clientes”, complementou.

O site da Naskar, que segue no ar, não é desenvolvido pela Alphacode.

15 ocorrências

A Polícia Civil do DF (PCDF) havia registrado, até essa segunda-feira (11/5), 15 ocorrências policiais contra a Naskar.

Os boletins foram registrados por moradores da capital entre quinta-feira (7/5) e sábado (9/5), em delegacias diferentes. Por ora, cada unidade fará a apuração dos casos de forma individual.

O outro lado

Em nova nota, encaminhada nessa segunda-feira (11/5), a Naskar confirma que entrou em contato com os clientes, conforme revelou o Metrópoles no sábado (9/5).

“A Naskar informa que, neste momento, enviou os e-mails de circularização a toda a base de investidores. A próxima etapa é receber os documentos solicitados para entendimento da situação de cada um. Caso algum investidor não tenha recebido o e-mail, por favor, escreva para o endereço auditoria@sejanaskar.com.br”, diz a instituição.

Leia a nota completa da Celcoin, custodiante da Naskar, informando o bloqueio operacional da fintech.

Assim que tomou conhecimento das informações divulgadas publicamente, em 08 de maio, a Celcoin adotou imediatamente medidas preventivas de bloqueio operacional relacionadas à Naskar.

O bloqueio impede qualquer movimentação ou saque de recursos eventualmente mantidos na plataforma, em linha com os protocolos de governança, segurança e compliance da companhia.

Até o momento da adoção da medida, a operação transcorria dentro da normalidade sob a ótica regulatória e operacional, sem registros de infrações, indícios de fraude ou ocorrências que justificassem atuação preventiva anterior.

Por nossa política de privacidade e normas aplicáveis de sigilo bancário, a Celcoin não pode divulgar o valor custodiado, mas ressalta que o montante nunca se aproximou do que foi citado na reportagem.

Quais assuntos você deseja receber?

Ícone de sino para notificações

Parece que seu browser não está permitindo notificações. Siga os passos a baixo para habilitá-las:

1.

Ícone de ajustes do navegador

Mais opções no Google Chrome

2.

Ícone de configurações

Configurações

3.

Configurações do site

4.

Ícone de sino para notificações

Notificações

5.

Ícone de alternância ligado para notificações

Os sites podem pedir para enviar notificações

metropoles.comDistrito Federal

Você quer ficar por dentro das notícias do Distrito Federal e receber notificações em tempo real?