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Como é possível que a democracia americana tenha apenas Biden e Trump?

É inacreditável que os Estados Unidos não tenham sido capazes de produzir candidatos que não fossem um decrépito e um mentiroso compulsivo

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Mario Tama/Getty Images
Imagem colorida do debate entre o presidente Joe Biden e o ex-presidente Donald Trump - Metrópoles
1 de 1 Imagem colorida do debate entre o presidente Joe Biden e o ex-presidente Donald Trump - Metrópoles - Foto: Mario Tama/Getty Images

Os democratas vinham tentando esconder a decrepitude de Joe Biden, mas a farsa ficou impossível depois do debate de ontem à noite com Donald Trump. O candidato republicano deitou e rolou com as suas mentiras diante de um oponente com olhar vazio, balbuciante e que chegou a ficar congelado em determinados momentos.

É impensável que Joe Biden possa ser presidente por mais quatro anos. Na verdade, é impensável que ele ainda possa continuar à frente dos Estados Unidos até o final do ano.

Winston Churchill foi primeiro-ministro do Reino Unido pela segunda vez quando tinha perto de 77 anos. Não é uma idade avançada, mas ele já havia sofrido pequenos derrames. O rei George VI cogitava pedir a Winston Churchill que renunciasse, mas morreu antes disso, dando lugar a Elizabeth II. 

O glorioso primeiro-ministro que ela herdou sofreu um grande derrame em 1953, chegou a ficar com uma parte do corpo paralisada,  mas a sua condição médica foi escondida, e ele continuou no cargo até 1955, quando ainda estava para completar os 81 anos de Joe Biden.

Era outro homem (não se conhece nenhum episódio de decrepitude de Winston Churchill durante o seu governo) e era outra época: não havia tanta exposição midiática. Hoje, é de se duvidar que ele se sustentasse como primeiro-ministro em estado precário de saúde.

Assistir a políticos e jornalistas democratas fingindo espanto com o estado físico e mental de Joe Biden é de dar náuseas. Desde há muito o atual presidente americano vem se mostrando trôpego, confuso e ausente. Os democratas, contudo, vinham colocando tudo na conta dos seguidores de Donald Trump, como se os vídeos que eles colocavam na internet fossem fake news.

No último encontro do G7, na Itália, a primeira-ministra Giorgia Meloni teve de intervir para trazer Joe Biden de volta ao grupo de chefes de governo — o presidente americano havia se virado de costas, completamente alienado do contexto, para observar um paraquedista que havia acabado de fazer uma exibição. Pouco antes, durante um evento político, Barack Obama teve de abraçar Joe Biden e simular que conversava com ele para retirá-lo do palco onde havia permanecido paralisado.

A decrepitude de Joe Biden e a recandidatura de Donald Trump fazem parte de um quadro muito negativo para o Ocidente. Os Estados Unidos e as demais potências ocidentais estão sem líderes à altura para enfrentar os desafios representados pelo russo Vladimir Putin e pelo chinês Xi Jiping. E não há perspectiva de que essa situação mudará para melhor no médio prazo. Pelo contrário, a tendência é piorar.

Ontem, depois do debate, uma indagação permaneceu não só para mim, imagino: como é possível que a mais exuberante democracia do mundo não tenha sido capaz de produzir dois candidatos à Casa Branca que não fossem um mentiroso compulsivo e um senhor visivelmente decrépito? O problema não é a polarização, mas a qualidade dela. Ainda bem que a democracia americana é forte o suficiente para aguentar este péssimo trecho de história. Só falta combinar com os russos — e com os chineses.

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