
Manoela AlcântaraColunas

Fachin reage à afirmação de uma funcionária sobre vontade de matar Dino
Presidente do STF, Fachin ressaltou em nota que o respeito a todas as pessoas é condição essencial da convivência republicana
atualizado
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O ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF), manifestou solidariedade ao ministro Flávio Dino após funcionária de uma empresa aérea, ao olhar um cartão de embarque com o nome o ministro, dizer a um agente de polícia judicial que tinha vontade de matá-lo.
Dino relatou o caso em redes sociais e fez um apelo para que empresários promovam projetos de conscientização com seus empregados.
Logo em seguida, o presidente do Supremo afirmou em nota que: “A divergência de ideias, própria da democracia, jamais pode abrir espaço para o ódio, para a violência em qualquer de suas formas ou para qualquer modo de agressão pessoal. Manifestamos, por isso, nossa solidariedade ao ministro Flávio Dino diante do grave fato, ocorrido hoje no aeroporto de São Paulo, cujo relato foi tornado público“, disse.
Fachin ainda prosseguiu ao dizer que o respeito a todas as pessoas, tenham ou não funções públicas, às instituições e às autoridades legitimamente constituídas é condição essencial da convivência republicana.
“Impõe-se reafirmar os valores da civilidade, da tolerância e da paz social. O Brasil precisa de serenidade, espírito público e compromisso democrático, para que as diferenças possam coexistir dentro dos limites do respeito mútuo e da dignidade humana”, completou.
O post de Dino
O ministro Flávio Dino relatou no Instagram que: “Uma funcionária de uma empresa aérea, ao olhar um cartão de embarque com meu nome, manifestou a um agente de polícia judicial a vontade de me xingar. Em seguida se ‘corrigiu’: disse que seria melhor MATAR do que xingar. Como não a conheço, nem ela me conhece, é claro que tais manifestações derivam de minha atuação no STF“, disse.
Dino diz na mensagem que não pretende expor ninguém, mas fazer um alerta, por esse não ser um relato exclusivamente pessoal, e, sim, coletivo. Veja:
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“Imaginemos que outros funcionários, da mesma ou de outra empresa aérea, sejam contaminados com idêntico ódio. Isso pode significar até riscos para segurança de aeroportos e de voos e, por conseguinte, de outros passageiros”, disse nas redes sociais.
O ministro do STF ainda ponderou a possibilidade de o mesmo problema ou pensamento acontecer em uma rede de restaurantes, por exemplo: “Um cliente corre o risco de, por exemplo, ser envenenado?”.
Educação cívica
O ministro, então, ao expor o problema, fez um apelo: “O pedido que faço às empresas em geral, mas especialmente àquelas que lidam com o público, é que façam campanhas internas de EDUCAÇÃO CÍVICA para que todos possam conviver em PAZ, especialmente neste ano eleitoral, em que muitos sentimentos se acirram”.
Dino ainda prosseguiu, ao afirmar que cada um tem a sua opinião, as suas simpatias e o seu voto individual. Mas um cidadão não pode ter receio de sofrer uma agressão de um funcionário de uma empresa ao consumir um serviço ou produto.
“Pode ter sido um ‘caso isolado’. Porém, com o andar do calendário eleitoral, pode não ser. Então, é melhor prevenir. Essa é a sugestão para as empresas e entidades empresariais: orientem e estimulem com campanhas educativas os seus prestadores de serviço a manter o respeito a todas as pessoas, independentemente de preferências, simpatias, opiniões. Será o melhor para a empresa e para os consumidores. Será o melhor para o Brasil”, concluiu.
