Givenchy, Chanel e Louis Vuitton: veja como foi o fim do Paris Fashion Week
A temporada de primavera/verão 2021 da semana de moda francesa aconteceu entre os dias 28 de setembro e 6 de outubro
atualizado
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A Semana de Moda de Paris aconteceu entre os dias 28 de setembro e 6 de outubro, com a primavera/verão 2021, depois de Nova York, Londres e Milão. Com apresentações presenciais e digitais, em geral, os eventos dividiram opiniões, devido à preocupação em relação à propagação da Covid-19. Anteriormente, a coluna mostrou como foram as coleções de marcas como Dior, Cecilie Bahnsen, Marine Serre, Chloé, Rick Owens, Loewe e Isabel Marant na fashion week francesa. Parte dos últimos dias da programação de ready-to-wear, Givenchy, Chanel e Louis Vuitton não poderiam ficar de fora do balanço da temporada.
Vem comigo!
Givenchy
Um dos momentos mais aguardados para a primavera/verão 2021 era o primeiro trabalho de Matthew M. Williams na direção artística da Givenchy. “A coleção explora a Givenchy na forma de um fluxo de consciência para Williams e é uma ‘amostra’ do que está por vir. Este é um novo começo, mas é misturado com elementos do arquivo e é uma utilização da linhagem distinta da Givenchy, apontando para o passado, presente e futuro”, destacou a etiqueta, em comunicado.
A apresentação foi revelada virtualmente via shooting. Para a estreia do estilista, referência em streetwear de luxo, o esperado era uma abordagem moderna. “A moda deve ser um reflexo do que significa viver hoje, ser moderno e relevante”, declarou o norte-americano ao Business of Fashion.
O couturier acredita que a Givenchy deve se manter “elegante, poderosa e chique”, mas sempre com versatilidade. O propósito de Williams são peças atemporais e adaptáveis, que atendam a várias idades e estilos. “Há uma inclusão nas roupas que faço”, apontou. “Uma adolescente pode encontrar peças na coleção”, completou.
O compilado manteve a sofisticação, presente no DNA da grife francesa, mas ganhou uma sensualidade contemporânea. Com uma mistura interessante de formalidade e casualidade, as composições são majoritariamente lisas. Entre as poucas texturas, estão aplicações brilhantes e relevos, principalmente em couro de crocodilo.
O ponto alto do compilado são as modelagens e os recortes precisos. Ombros marcados, shapes amplos e assimetria incrementam as produções. O toque final vem com os acessórios maximalistas.
Chanel
Para esta edição da Semana de Moda de Paris, a Chanel apostou em um desfile presencial, no Grand Palais, com público no local e também transmissão ao vivo. Antes do evento, divulgou um filme dirigido por Inez & Vinoodh.
“Luzes, câmera, ação”. Assim foi anunciado o show. Afinal, a inspiração de Virginie Viard veio de atrizes vestidas pela etiqueta ao longos dos anos, com looks assinados por Gabrielle Chanel e Karl Lagerfeld, em filmes e também na vida real.
“Estava pensando nessas mulheres na hora em que são fotografadas no tapete vermelho, naquele momento quando são chamadas pelos fotógrafos. Rostos distraídos, atitude um pouco fora de sincronia com as roupas que vestem. Depois, há os fãs esperando por elas atrás das barreiras… Esse lado muito animado do cinema que vai além do cinema, é disso que eu gosto”, disse a diretora criativa à imprensa.
No cenário, o nome da grife foi colocado em letras enormes, fazendo referência ao icônico letreiro de Hollywood, em Los Angeles, nos Estados Unidos. Na coleção, o resgate a décadas anteriores ficou evidente em vários looks, como capas esvoaçantes, do anos 1920, ou blazers com ombros largos, como na década de 1980.
As composições misturaram a pegada clássica com um toque de descontração. Destaque para camisetas que brincam com a contagem regressiva de produções cinematográficas. Os detalhes em neon não passaram despercebidos em meio a visuais rebuscados.
Vale reparar também nas minibolsas (à la Jacquemus) que apareceram na passarela da Chanel. Para incrementar as combinações, as modelos usaram acessórios minúsculos de diferentes maneiras: nas mãos; nos pulsos; com alça transversal; no pescoço, como colar; e até pendurados nos cintos.
Louis Vuitton
O intuito da Louis Vuitton para a temporada foi “entrar em um território que ainda é estilisticamente vago”. “Nicolas Ghesquière se aventura em uma zona onde as fronteiras entre o masculino e o feminino se dissolvem”, explicou a marca em comunicado.
Com público no local, o show foi realizado no edifício La Samaritaine, uma famosa loja de departamentos parisiense, pertencente ao conglomerado de luxo LVMH. Pelo Instagram da LV, uma live streaming revelou os outfits ao público geral.
A inspiração cenográfica saiu do filme Wings of Desire (Asas do Desejo, em tradução livre), de Wim Wenders. O diretor criativo quis entrar em um segmento sem gênero. “Essa zona é marcada por pessoas não binárias, pessoas que estão tendo muita liberdade de se vestir como querem e, por sua vez, dando muita liberdade a todos nós”, explicou Ghesquière à Vogue Runway.
Na catwalk, as silhuetas dos anos 1980 marcaram presença, misturadas ao universo skater. Sobreposições, sobretudos, blazers sem lapela e minivestidos deram o que falar. Vale reparar nas emendas com grandes lantejoulas, garantindo um toque disco.
O estilista aproveitou a coleção para incentivar o voto, principalmente à população norte-americana, assim como outras marcas vêm fazendo. As eleições deste ano, nos EUA, estão marcadas para 3 de novembro. O primeiro visual que apareceu na passarela da Louis Vuitton tinha estampa com a palavra “Vote”.
Em meio à pandemia, muitas marcas tiveram cautela no principal circuito de moda e optaram por revelar as novidades de spring/summer 2021 digitalmente, sobretudo em Londres e Nova York. No entanto, houve grifes que não abriram mão do jeito tradicional, com direito à plateia, inclusive.
A realização de desfiles tradicionais não agradou a todos. Afinal, o momento não é dos mais propícios para apresentações e shows físicos, ainda que com medidas de segurança. Em Paris, por exemplo, a grife Isabel Marant causou aglomeração na própria passarela. Já em Milão, ocorreram mais de 20 apresentações presenciais. Entre elas, a Dolce & Gabbana gerou alvoroço, com amontoados de pessoas na catwalk, na plateia, e até fila na área externa.
Colaborou Rebeca Ligabue